Entrevista: Artistas de Minas exaltam espírito rebelde da música de Janis Joplin

“pensávamos os mesmos pensamentos da alma, chapados e de olhos tristes, cercados pelas retorcidas raízes de aço das árvores da maquinaria,” Allen Ginsberg

Janis Joplin foi símbolo de rebeldia na década de 1960

Ela se foi aos 27 anos há mais de quatro décadas, mas se é verdade que na música o tempo é fundamental, também o é que, através dela, os limites se transpõe. Ao menos no caso de Janis Joplin. Cantora de rock e blues a norte-americana despontou junto à geração de Jimi Hendrix e Jim Morrison, influenciada por nomes como Billie Holiday, Aretha Franklin e Etta James. A voz rascante e os excessos dentro e fora do palco foram algumas de suas marcas, além das canções carregadas de desvios amorosos e hinos à libertação. Kícila Sá, multiartista, atriz e cantora, acredita que Janis se diferenciou de seus pares pela “interpretação e atitude. Só não digo que ela era uma atriz por que realmente sinto que ela viveu cada palavra que cantou, cada lágrima que derramou, cada grito que berrou. Janis tirava do útero uma voz difícil de ser comparada com qualquer outra cantora da época. Além de tudo ela foi uma mulher a frente do seu tempo”, constata.

Escute seu coração…

“Nosso corpo é infinitamente mais sábio que a nossa cabeça. O corpo é sábio mesmo sem ter consciência da sua sabedoria. Inconsciente é o nome para a sabedoria do corpo.” Rubem Alves

Fitas da consciência alertam para prevenção de doenças

O uso de laços coloridos na área da saúde para ajudar na mobilização e conscientização da população sobre riscos e tratamentos começou ainda na década de 1990, com a tradicional fita vermelha da AIDS. Hoje em dia elas são várias, e se relacionam também com os meses. Em referência ao “Dia Mundial do Coração”, por exemplo, celebrado no dia 29 do mês, instituiu-se o “Setembro Vermelho”, com o intuito de prevenção a doenças cardíacas. Nessa linha a Oncocentro de Belo Horizonte oferece acompanhamento cardiológico especializado para pacientes em tratamento de câncer.

A doutora Ariane Macedo, fundadora e atual vice-presidente do Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2014 esclarece que “o tratamento oncológico (rádio ou quimioterapia) pode afetar o coração a curto ou a longo prazo, por isso a importância do acompanhamento”. De acordo com Ariane “o tratamento oncológico pode causar em alguns pacientes uma intoxicação no sistema cardiovascular (no músculo cardíaco, no pericárdio – que é a membrana que envolve o coração -, ou nos vasos sanguíneos)”. A medida adotada pela Oncocentro de BH para prevenir complicações foi determinar a presença do médico cardiologista dentro da clínica e oferecer aos pacientes o tratamento. “Eu atendo a todos os pacientes, o que permite um acompanhamento preciso e imediato, além do contato direto com o oncologista para discussão dos casos”, sublinha Ariane.

9 músicas carnavalescas de Moraes Moreira

“Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia
De todos os santos, encantos e axé, sagrado e
Profano, o baiano é carnaval…” Moraes Moreira & Armandinho Macedo

Moraes Moreira é o autor de vários sucessos de carnaval

Baiano de Ituaçu, no interior do estado, Moraes Moreira escreveu uma canção apenas para dizer que não era Alceu Valença. Ele mesmo reconhece que o engano tem fundamento, pois, apesar de usar “bigode e ele não”, as influências pernambucanas são recorrentes em suas músicas, especialmente a predileção por frevos. Moraes foi dos principais artífices na consolidação do “Trio Elétrico” com voz, sendo um de seus primeiros cantores, e, por muitos carnavais, despontou ao lado de Armandinho, Dodô e Osmar nas ruas da Bahia. Um dos fundadores dos “Novos Baianos” o espírito e a energia inovadora e entusiasmada jamais o abandonaram e, talvez por isso, Moraes soe como carnavalesco mesmo quando compõe baladas com o poeta Paulo Leminski ou lega à nossa música popular brasileira o melhor de suas reflexões existenciais.

Artigo: Como Temer entrará para a história do Brasil?

“Certamente não é alegre; há espetáculos mais joviais, leituras mais leves; mas o interesse não está na leveza nem na alegria. A tragédia é terrível, é pavorosa, mas é interessante. Depois, se é verdade que os mortos governam os vivos, também o é que os vivos vivem dos mortos.” Machado de Assis

Michel Temer chegou ao poder após a polêmica deposição de Dilma

Quando Cristo reuniu seus apóstolos para celebrar a Santa Ceia disse que seria traído por um deles, de acordo com as escrituras bíblicas. Joaquim José da Silva Xavier, também conhecido como o alferes Tiradentes não tinha a mesma consciência, tampouco o imperador romano Júlio César, apunhalado pelas costas pelo filho adotivo Brutus. De acordo com lógica vigente há quem diga que quem votou em Cristo votou em Judas, e quem votou em Tiradentes também votou em Joaquim Silvério, e assim por diante. Fato é que a história não costuma ser muito simpática a tais personagens, não por acaso malhadas em celebrações até hoje típicas nas cidades. Michel Temer, talvez, tenha calculado mal o peso do tempo, embotado pela fricção momentânea que a estimativa de poder é capaz de causar. Em cima agora, de baixo para sempre.

Análise: A herança das Carmen’s na música brasileira

“Teus lábios cor das papoilas,
Vermelhos como o carmim,
Não são lábios nem papoilas
São pedaços de cetim.” Florbela Espanca

Carmen Costa, Carmen Silva e Carmen Miranda, cantoras do Brasil

Com a morte de Carmen Silva encerra-se, ao menos em vida, a dinastia deste nome na música brasileira. A herança das três, no entanto, permanece, em seus diferentes espectros e singularidades. A mais conhecida delas, Carmen Miranda, representa também o maior número de paradoxos. Símbolo de brasilidade, nascida em Portugal, alçou o país à fama internacional ao se apresentar nos palcos e participar de filmes emblemáticos na terra do Tio Sam, os Estados Unidos da América.

Carmen Costa guarda mais semelhanças com a outra xará, exemplo o fato de ambas terem trabalhado como empregada doméstica, o que expõe também traço marcante da sociedade brasileira. Também participou de chanchadas nacionais e gravou sucessos carnavalescos, cujo mais expressivo continua sendo “Cachaça”, que tem entre seus compositores Mirabeau.

Entrevista: Brasileiro Fred Oliveira participa de filme favorito ao Oscar

“A música desce, assim como desce o pesado ramo cheio de flores, pois assim tem que ser, para continuar vivendo, para continuar até a última gota de alegria.” Allen Ginsberg

Fred Oliveira atua como engenheiro de áudio em Los Angeles

Vale apostar que pouca gente sabe que um brasileiro nascido em Porto Alegre e criado em Belo Horizonte deu a sua contribuição para um dos filmes favoritos a levarem o Oscar em 2017. Para além da polêmica envolvendo a retaliação ao longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, “Aquarius”, na categoria filme estrangeiro, a imprensa especializada tem se deleitado em tecer elogios e cravar uma estatueta na bolsa de apostas que sempre precede tal acontecimento. Trata-se de “LA LA LAND”, musical dirigido por Damien Chazelle que conta com Emma Stone e Ryan Gosling no elenco. E conta também com Fred Oliveira, músico, guitarrista, produtor musical e engenheiro de som que integra a equipe de mixagem do longa-metragem. “Foi um experiência extremamente gratificante e de muito aprendizado. Tradicionalmente, quando um longa-metragem dessa dimensão chega ao estágio de pós-produção, ou seja, quando o trabalho de mixagem se inicia, já existe uma edição finalizada do vídeo, e a música que acompanha o filme já foi composta e gravada”, diz. O filme tem previsão de lançamento para dezembro.

Para entender melhor qual foi exatamente o papel de Fred no processo ele o explica de maneira didática e, ao fazê-lo, deixa claro o quanto funções aparentemente técnicas contribuem para a estética e o conteúdo da produção, motores de toda obra de arte. “O trabalho do engenheiro de mixagem, descrevendo de maneira simplificada, consiste em coletar todo o material de áudio disponível, como música, diálogos, efeitos sonoros, e sons de ambiência, combiná-lo em uma sessão única, no caso sessão se refere a um conjunto de arquivos gerados pelo software de mixagem, que combina áudio e vídeo, geralmente se utiliza o Pro Tools (ferramenta recorrentemente utilizada para dublagem), e reorganizá-lo de maneira que cada elemento ocupe seu lugar, e fique em destaque em determinados momentos para dar vida ao filme. O diálogo não deve competir com a música, que por sua vez, não deve competir com o vídeo. O objetivo é atingir um equilíbrio para que tudo soe natural, mas, ao mesmo tempo, intensificar o efeito emocional do filme”, sublinha. O musical já garantiu o prêmio de “Melhor Atriz” para Emma Stone no Festival de Veneza.

Ladainha do amor sem fim

“O que faz de nós o que somos é inatingível e incompreensível. Entregar-se ao amor dá alguma ideia do que é irreconhecível. Nada mais importa no final das contas.” Josephine Hart

Pintura Dois Amigos de Toulouse-Lautrec

A onça escapa ligeira como tua área. O estampido é um tiro de espingarda. O labor das nuvens cor de argila não contém a fúria do animal em perigo. Carente de sangue, fibra, sais minerais, proteína. Meses passam numa tarde, num dia. Revelam os ossos do corpo firme em carne da onça em perigo. O velho osso roído não é cachorro, gato ou passarinho. Uma onça: uma cigana: uma mulher: clandestina. Aonde quer que vá: clandestina. Ágata: uma rouquidão da mudança de tempo ou do cigarro: Maria: barba-ruiva cor da palmeira verde-água: uma vaca malhada: um cavalo: ao longe, salmos: preta e branca masca chiclete, mato, palha: o serro: a serragem: o cerrado. Mimosa cidade.

A bandeira gasta da ruína grega. Quem tem um bem de fato sabe que o tamanho importa pouco, pode ser uma ponta de agulha, uma lembrança, uma ausência: sempre renasce. Apenas um sinal, um presságio. Sabe que eles existem: e estes, sob cortina de fumaça tóxica: nenhuma: tornam-se transparentes. Sob o sol de couro, fibra, fios, tecido, tinta: brutalizam todos os dias: é preciso menos motivos para o lamento cotidiano, mais elementos para a esparsa alegria. Refletidos nos retrovisores, viram a vida passar a meio metro dos calcanhares de Aquiles. O orgulho não é conotação de elogio segundo premissas da boa convivência.

3 músicas para machucar o coração com Alcione

“Este amor me envenena,
Mas todo amor sempre vale a pena…
Desfalecer de prazer, morrer de dor,
Tanto faz, eu quero é mais amor…” Nei Lopes & Wilson Moreira

Alcione canta o amor em tons dramáticos

De São Luís do Maranhão para o Brasil, aonde trabalhava como professora primária e trompetista, Alcione nunca deixou de cantar o amor, mas um amor específico, marcado pelas dores e as separações. Porém, a atitude da intérprete frente a esses deslizes do romantismo não é sempre a mesma. A voz de Alcione passeia pelas desilusões amorosas com a entrega e a angústia de quem muitas vezes se cortou, mas é também capaz de legar ao drama uma pitada de sátira, deboche, e, principalmente, determinação em seguir em frente que atrás vem gente. Dona de uma das vozes mais características da música brasileira e interpretação, como diria o outro, de arrebatar multidões, Alcione machuca, sim, o coração, mas o faz com a ginga e o ritmo do nosso samba. Por saudades, rancor ou mágoa, o amor dança no canto intenso da intérprete.

Somos todos iguais?

“Nestas noites, na Itália inteira, há telescópios voltados para o céu. As luas de Júpiter não barateiam o leite. Mas nunca foram vistas, e agora existem. O homem da rua conclui que poderiam existir muitas outras coisas também, se ele olhasse melhor.” Bertolt Brecht

Os Operários, obra de Tarsila do Amaral

Um dos fundamentos da cultura, mas, sobretudo, da arte, é que ela gera perspectiva, te tira do lugar de conforto ou lhe permite colocar-se no tão famoso lugar dos outros. Mais do que isto, abre (não fecha) parênteses, expande as possibilidades, sublima e fricciona os horizontes, em suma, oferece a liberdade, pois a mortal função da arte é propor a liberdade, ou, ao menos, alguma libertação. Daí que as pessoas percam de vista sua importância, pois impalpável, afinal de contas ela age sobre os modos, comportamentos, visões, e, em última análise, sobre o coração, pois é seu dever transformar não através de teses elaboradas e argumentos com prazo científico de validade, mas através da emoção, tocando-nos. Tenho uma regra básica para definir se algo me comoveu no terreno da arte: é preciso arrepiar-me. A partir deste instinto, deste gesto, percebo e descubro se algo me agradou ou não, e, só depois disso, parto para elaborar a análise em cima da crítica das qualidades e falhas.

Análise: 80 anos de Wilson das Neves, no tempo da música sem limites

“O samba é meu dom…
Aprendi bater samba ao compasso do meu coração,
De quadra, de enredo, de roda, na palma da mão,
De breque, de partido-alto e o samba-canção…” Paulo César Pinheiro & Wilson das Neves

Wilson das Neves é baterista, compositor e cantor

Wilson das Neves é a prova viva de que a música não tem tempo. E isso para um instrumentista de origem, sobretudo um baterista, seria quase uma heresia. No entanto, a música não tem limite, quanto mais o som sagrado de Das Neves, carioca da gema, nascido e criado nas praias, becos e entre bambas do Rio de Janeiro. É certo que ele já era notado quando tocava com gente como Elis Regina, Elizeth Cardoso, Roberto Carlos, Elza Soares, Wilson Simonal, Maria Alcina, coisa que não é pouca. Mas foi ao lado do parceiro definitivo e mais repetido nos últimos anos que Wilson tomou a coragem necessária para exibir outra verve e abandonar de vez a irrefutável modéstia. Encorajado por Paulo César Pinheiro e o dito cujo citado linhas acima, de alcunha Chico Buarque de Hollanda, Wilson assumiu em alto e bom som: tenho voz! Escrevo e canto, e, acima de tudo, dou vazão aos sentimentos. E que som ele ofereceu.