Maria Rita: “Até onde a gente vai apanhar enquanto povo?”

“mergulha no sonho/ anterior às artes,
quando a forma hesita/ em consubstanciar-se.
Canta os elementos/ em busca de forma.
Entretanto a vida/ elege semblante.” Carlos Drummond de Andrade

Maria Rita, 42, não força a barra quando diz que passou “muito mal de emoção”. A expressão é literal. “Me escondi no banheiro, porque achei que fosse desmaiar”, conta. O apuro aconteceu na cerimônia de entrega do Prêmio da União Brasileira dos Compositores (UBC) para Milton Nascimento, laureado pelo conjunto da obra na sede da associação, no Rio de Janeiro, em outubro. Durante a homenagem, Maria Rita cantou “Morro Velho”, lançada no primeiro álbum de Bituca, em 1967. “Essas composições mexem muito comigo. Sou suspeita para falar do Clube da Esquina, tenho um envolvimento próximo, e essa atemporalidade das canções me choca até hoje. É arrebatador”, enaltece. Há cerca de sete anos, a intérprete gravou, com Seu Jorge, uma versão para “Vento de Maio” (Telo e Márcio Borges), eternizada no canto de Elis Regina. O dueto chegou à internet em abril.