João Bosco, sobre momento político: “Sinto que vivo num hospício”

“A doçura maior da vida
flui na luz do sol,
quando se está em silêncio” Cecília Meireles

Um homem caminha, em uma paisagem desértica e árida, e vem, do fundo do horizonte, em direção ao espectador. “Nesse trajeto, que não podemos mensurar de acordo com o tempo cinematográfico, não há nenhum barulho e nenhuma interferência sonora”, aponta João Bosco. A cena descrita por ele está na primeira sequência do filme “Paris, Texas”, dirigido pelo alemão Wim Wenders em 1984. “Me lembro dela pela importância da mensagem”, sublinha. Para chegar ao título do novo disco, o primeiro de inéditas em oito anos, Bosco pensou nessas imagens.

Pode parecer estranho para um músico virtuoso como o violonista de Ponte Nova (MG), mas é essa “sonoridade” que ele persegue, seguindo, inclusive, a premissa do poeta gaúcho Mario Quintana (1906-1994): “Toda arte é feita de silêncio – inclusive a própria música”. “Existe uma zoeira grande hoje em dia, muito barulho e muita falação. Falta reflexão, sempre acreditei na necessidade do silêncio para chegar até ela. Tudo que há de som nesse disco te leva a pensar mais profundamente sobre as coisas, e aí você precisa do silêncio”, destaca.