Entrevistas: Diretoras, atrizes, produtoras e pesquisadoras debatem sobre assédio

“arte não é pureza, é purificação, arte não é liberdade, é libertação.” Clarice Lispector

Uma menina de 13 anos havia sido abusada sexualmente e contou a história para Tarana Burke. Na hora, a ativista afro-americana nascida no Bronx, nos Estados Unidos, não soube o que dizer. Mais tarde, ela entendeu que queria ter dito apenas “eu também”. Esse foi o gatilho para que Tarana criasse, em 2006, o movimento Me Too (tradução literal de “eu também”, em inglês), a fim de promover a empatia entre mulheres negras que foram vítimas de abuso sexual. A primeira plataforma digital a disseminar a campanha foi o Myspace, naquela época uma das mais populares redes sociais.

Passados 11 anos, o movimento voltou à tona, em 2017, com a força de uma ressaca marítima. Publicada no “The New York Times” no dia 5 de outubro daquele ano, a reportagem intitulada “Harvey Weinstein pagou os acusadores de assédio sexual por décadas” começou a minar um cruel império de silêncio, ao revelar o que parcela considerável da indústria cinematográfica norte-americana já sabia: o poderoso produtor de filmes de Hollywood era um contumaz abusador sexual.