Análise: Musa, Tônia Carrero preferiu os palcos de teatro

“É isso mesmo! Exatamente! Dar vida a seres vivos, mais vivos que aqueles que respiram e vestem roupas! Menos reais, talvez, porém mais verdadeiros.” Luigi Pirandello

Tônia Carrero faleceu aos 95 anos de idade
Paulo Autran dizia que ela sofria preconceitos pela aparência. O fato de ter sido considerada uma das atrizes brasileiras mais bonitas de todos os tempos pesou, no início da carreira, tanto contra quanto a favor de Tônia Carrero. Como quem abre portas, a primeira impressão provocava, de cara, um encantamento. No entanto, por algum período ela foi questionada quanto ao talento. Autran, justamente o companheiro mais longevo nos palcos de teatro, denunciava a discriminação no meio artístico em relação à possibilidade de conjugar inteligência, sensibilidade e beleza. É compreensível que todas essas qualidades numa só pessoa cheguem a incomodar em um meio tão pautado pela vaidade. Aliás, para Tônia a palavra de ordem era quase seu antônimo: humildade. Engraçado que poucas vezes ela tenha se apagado para dar vazão a uma personagem. Tônia foi uma atriz personalista, e que invocava um estilo.