Pocilga: o Surrealismo Social de Pier Paolo Pasolini

“Cessa estes ecos porcos,
Esta imundície coxa, este braço torto
Reabre o tapume verde do poço,
Salta dentro, ao negrume tosco
E se nada resta afoga-se no lodo” Ana Cristina Cesar

Pasolini filmou Pocilga em 69

Após chamar Hitler de “fêmea assassina” logo na introdução, a cena seguinte apresenta um curral de porcos prontos para serem abatidos. A sordidez das imagens se completa através da trilha original tocada ao piano por Benedetto Ghiglia. Trata-se do filme italiano “Pocilga”, lançado em 1969, e chamado em sua língua pátria de Porcile. Ainda que seja definido pelo crítico Luiz Santiago como:

Uma de suas realizações mais estranhas, não necessariamente pelo conteúdo (até porque existe Saló ou 120 dias de Sodoma), mas pelo fato de o filme também ser tido pelo diretor como uma grande metáfora ou ainda um grande jogo sádico entre psicologia humana, política e sociedade, tríade que pontua a civilização e é responsável tanto pelo seu aparente sucesso quanto pelo seu
comprovado fracasso (SANTIAGO, 2014).