Análise: Jeanne Moreau personificou a liberdade feminina

“Viver, depois colocaremos uma etiqueta.” François Truffaut

Jeanne Moreau atriz de cinema francesa

Quem interpreta tem o costume de dizer que o trabalho acontece no corpo. Não através ou com, mas nele: tanto dentro quanto fora desta matéria que nos permite a existência terrena. No caso de Jeanne Moreau essa construção não ficava explícita. Difícil determinar se ali havia psicologismo, intuição ou preponderância física, fato é que o gesto se ajustava às intencionalidades – isto dito em seus melhores momentos no cinema assim como na amplitude das possibilidades cênicas, pois é o que se cristaliza dos ícones. Dito isto, o que permanece de Jeanne Moreau – em clássicos da tarimba do cínico “Os Amantes”, dirigido por Louis Malle; o existencialista “A Noite”, de Antonioni; e, principalmente, o provocativo “Jules e Jim”, de Truffaut – é o olhar inquisidor da atriz, tanto ou mais afirmativo em relação ao timbre de voz levemente travesso.