O Amigo da Onça

“O fantasma é um exibicionista póstumo.” Mario Quintana

Nem que a vaca tussa existe país no mundo mais pródigo em ditados do que esta terra de cego aonde quem tem um olho é rei. Dizem que este ouro em pó, tal diamante de sangue, como madeira de lei, é herança dos escravos trazidos da África, que não tomavam manga com leite e para tirar leite de pedra se comunicavam uns com os outros dessa maneira sem ter de engolir o sapo. Se quem veio antes, o ovo ou a galinha, não convém reclamar de barriga cheia, porque quem pega no pé ainda lhe puxam a orelha. São ossos do ofício, e dá pano pra manga tentar dar um nó em pingo d’água, coisa de quem tem um parafuso a menos. É muita cara de pau fazer um negócio da China a preço de banana. Segura que lá vem chuva de canivete. Já vi gente ficar tanto tempo com uma pulga atrás da orelha que acabou soltando os cachorros. Tinha o diabo no corpo. É como dizem, quem cedo madruga, Deus ajuda. Quem tarde se deita, o diabo aceita. Força de expressão, ou fraqueza do espírito de porco. Cada macaco no seu galho é a receita ensinada para não ter de pagar o pato.