Crítica: peça “Sem título, óleo sobre tela” promove alegoria da situação política

“Imagine se vocês que escrevem fossem independentes! Seria o dilúvio! A subversão total. O dinheiro só é útil nas mãos dos que não têm talento. Vocês escritores, artistas, precisam ser mantidos pela sociedade na mais dura e permanente miséria! Para servirem como bons lacaios, obedientes e prestimosos. É a vossa função social!” Oswald de Andrade

Peça debate situação política do país

Datada de 2014, quando foi encenada pela primeira vez, a peça “Sem título, óleo sobre tela” parte de uma premissa política sem se prender exclusivamente a ela. A questão temporal também não engessa a montagem, que tem o mérito de oferecer elementos capazes de se conectar às várias sensibilidades. Dito isto, escapa da redoma que invariavelmente distancia o teatro que propõe certo engajamento nos últimos tempos, sem dar voltas ao redor de discurso cujo alvo é justamente o isolamento e a criação de nichos por parte das classes dominantes. Com uma dramaturgia, a rigor, simples, todo o potencial da trama está contido no subtexto e, nisto, o texto tem habilidade ao selecionar palavras que jamais se encerram em apenas um sentido. Assim como os gestos, já que o humor físico é uma das apostas feitas para trazer a reflexão através de risos.