Crítica: “De Tempo Somos – Um Sarau do Grupo Galpão” celebra vida no teatro

“sou um rio de palavras/peço um minuto de silêncios
pausas valsas calmas penadas/e um pouco de esquecimento
apenas um e eu posso deixar o espaço/e estrelar este teatro
que se chama tempo” Paulo Leminski

De Tempo Somos celebra trajetória do grupo Galpão

Embora pareça em alguns momentos uma banda o Galpão é eminentemente um grupo de teatro, provavelmente o mais bem sucedido do país, referência interna e no exterior. A capacidade de se embrenhar nas raízes – ao partir em turnê, por exemplo, pela região do Vale do Jequitinhonha – e, ao mesmo tempo, aguçar o olhar para o estrangeiro configura uma das riquezas presentes entre os valores da companhia, que aparece com vigor nesta montagem. “De Tempo Somos – Um Sarau do Grupo Galpão”, nada mais é do que uma celebração da trupe à vida no teatro. Pois o teatro é a vida do Galpão. Com uma dramaturgia simples, atores e atrizes, que se revezam como instrumentistas e intérpretes musicais em cena, transmitem com calor as emoções que se estabelecem, criando um vínculo sincero com a plateia e, novamente, afirmando um de seus valores mais caros. Tudo por que, fora a intimidade com os versos e as canções selecionadas, a elaboração é teatral, e ao optar por esse prisma, justamente a essência do grupo, a afetividade que marca as escolhas ressoa de maneira ainda mais pertinente em cena. Principalmente por que o clima de diversão no palco estende-se a todo mundo. Temos aqui um interessante recurso dramatúrgico, em que cada personagem é construída em cima da personalidade do intérprete, e não o contrário.