O Amor do Outro

“Há coisas que só se aprende quando ninguém as ensina. E com a vida é assim. Mesmo há mais beleza em descobri-la sozinha, apesar do sofrimento.” Clarice Lispector

Salvador Dalí foi o mestre do surrealismo na pintura

Num movimento involuntário, que até então julgara incapaz, e infundado, escreve mais um acorde. Morosa vem a serpente a sibilar injúrias no teu ouvido, de marfim vêm as esculturas puxadas por pretos guindastes, pedras levadas à vida, cores levadas à tela, por Rafael: o virtuoso, o desbravador, o gênio. Ao que o artesão supera o artista, o maestro suprime toda uma orquestra e o discípulo ao redor do mestre profere palavras de esborro qual hélices desmilinguidas num liquidificador. Jorra o caldo para todos os lados, e eu, o único até o momento inconsolável, resolvo me juntar à esbórnia: danço sobre a velha mesa, rodopio os braços, caio de quatro, lambo o assoalho fedendo a cigarros e cerveja choca, dou aos ouvintes o que de mim querem: o vexame, a súplica mal feita, o ridículo.