O sonho de amor de Zé da Luz

“Rezam meus olhos quando contemplo a beleza.
A beleza é a sombra de Deus no mundo.” Helena Kolody

Modigliani é um dos pintores italianos mais reconhecidos

Zé da Luz afunda as botinas roxas na lama onde o carro morre, e também os sonhos. Qual detém o maior peso? O mais sublime peso? Maciço e irregular varia sob nossas patas, insetos ou aves, pouco importa, nada importa, voamos ao redor de luzes, e Zé com a sua lanterna de séculos ilumina nossas caras magras. Os dedos indicam povos, pivôs, palcos, perfídias e pururucas, mas é muita volta para pouco laço, muito cadarço e faltando sapato. O saber aristotélico aristocrático erótico asiático dessa gente de olhos claros, sotaque puxado para o alemão na roça, paulista na cidade, ribanceira duma enseada que inevitavelmente naufraga, ou naufragará rebentando o bucho o bicho a broa de fubá enrolada num papel jornal. Improvável. Tímido como uma tartaruga é difícil lhe arrancar palavra: Zé da Luz: e o sonho.