Crítica: peça “Memórias de Ana” é acessível porque diz respeito a todos

“Uma maneira simples de sentir a linguagem é quando ela falta.” Heidegger

Memórias de Ana traz recursos para inclusão de cegos, surdos e mudos

Somente a proposta inovadora não seria suficiente para tornar “Memórias de Ana” um espetáculo interessante. O mérito reside justamente de que essa linguagem democrática e inclusiva usa dos gestos em sua qualidade cênica que, para além de informar, capta e distribui emoções. Pois é com sentimentos e sensações que se conta uma história. Protagonistas em cena, Dinalva Andrade e Andressa Miranda atravessam com segurança e delicadeza as nuanças da personagem, com destaque para o tom jocoso, e criam, ainda, uma relação harmônica entre si. Dinalva também participa da dramaturgia, ao lado de Allan Machado, que é, sem dúvida, o grande trunfo do espetáculo. Como foi dito, tudo é observado e tido como recurso cênico, extrapolando, assim, sua condição exposta. A função da arte é propor a liberdade, ou alguma libertação.