Análise: 10 anos de Inhotim, museu reconecta arte à natureza

“A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.” Manoel de Barros

Inhotim é reconhecido como maior museu de arte a céu aberto da América Latina

Reconhecido como o maior museu de arte a céu aberto da América Latina, o instituto Inhotim, localizado em Brumadinho, no interior de Minas Gerais, circula a sua, até aqui, exitosa trajetória ao comemorar 10 anos de história. Exitosa não apenas por que a efeméride é digna de aplausos, mas pelo fato de ter sabido construir, ao longo do tempo, um espaço de celebração da cultura quase sempre democrático. Além das exposições de arte contemporânea, principal cartão-postal do projeto conduzido pelo empresário Bernardo Paz, o instituto passou a produzir e oferecer também espetáculos de música, teatro, cinema, dança e a abrigar, inclusive, a literatura. Tudo isso, portanto, transformou o Inhotim em importante foco de debate e experiência cultural. Experiência esta, esteticamente, sempre ligada à natureza, verdadeiro diferencial da atração, para onde, de alguma forma, tudo converge, sempre. Obras célebres de Hélio Oiticica e Adriana Varejão têm por companhia tulipas, frondosas árvores e borboletas, além de uma infinidade de cantos de pássaros.