Viver sem pressa, nem urgência de nada

“Em arte, só os preguiçosos são capazes de fazer alguma coisa.” Jagoda Buić

Obra do impressionista francês Renoir

Viver sem pressa, nem urgência de nada. Ouve o cortejo para Tadeu enquanto caminha. Estende a mão a Adílson. Chama-lhe pelo nome do falecido. Hesita, corrige o erro, despista. Manto de velório não serve para o altar. Odete pergunta com medo. Das Neves rejeita com uma expressão séria, em seguida cede. O manto está velho, mas o estado ainda é pleno, portanto da igreja, que cace um feio, furado, amarelo, para o enterro, Odete.

Que traz outro e mostra, à ranzinza Das Neves. De novo faz troça: está bem bonita, enterros são tristes. Então Odete passa um pano na velha, furada, horrorosa, Das Neves com orgulho, diz-lhe em segredo: está perfeita. Tadeu nem na vida, nem Adílson, na morte teria, uma melhor sorte. O homem passou. E passa o concreto. Por sobre os pilares da terra que é bege, gananciosa de tornar-se amálgama do progresso: Das Neves.