Como democratizar o Teatro no Brasil?

“A rã queria ser um passarinho.
Só se for em teatro, meu amor.
Em teatro você faz o passarinho
e eu faço a rã.
Teatro não é troca de experiências?” Manoel de Barros

Grupo Maria Cutia se apresenta em espaço aberto

Há que se praticar preços populares. Mas não é o suficiente, como comprova a experiência atual. Também há que se compreender que democratizar não passa só por torná-lo popular, mas, sim, em incentivar e alcançar o acesso de pessoas que pertençam a diferentes camadas sociais e grupos. Não raras são as montagens de caráter contundente e forte apelo no tangente a dramas sociais do país – como os relativos a preconceitos de toda ordem, exemplificando-se os contra gays, lésbicas e mulheres – e em que se presume que os ouvidos e olhos mais necessitados de encontrar tais discursos se encontram longe daquelas plateias. Também não é novidade espetáculos de expressiva adesão numérica, mas todos, por assim dizer, do mesmo algarismo, ou do mesmo alfabeto, mantendo inócua e ineficiente a tal democratização do teatro que é, ainda, e, sem dúvida, uma das artes mais restritas a guetos. Infelizmente.