No ambiente das flores

“A segunda eu espero mais que a sexta
Sábado, te quero mais que terça
Na quarta, me lembro da quinta
E me despeço do domingo que não chega
Em maio, você não vem
Em junho, você viaja
Diz que volta em julho
E eu aqui a gosto” Agatha Almeida

Obra do pintor francês Georges Seurat

Ouvi o uivo do lobo, o piar da coruja, a badalada do sino, ouço neste momento as preces para meu espírito: vá em paz, vem convicto, não tenhas medo. Encare essa revolta de gente, esse mar inflamado não te pode nada, a não ser afogá-lo na indolência. Veja uma flor ser atropelada. E não sente nada por ela. A leveza amortece a queda, rouba isto duma menina sã. Flor cai aos poucos, durante longa espera permanece subliminar o fim. Sabe que a enlaçará, monstruosamente arranha portas e amassa latas na locomotiva monção dos milênios. Trava no céu a flor: anseia o término do desespero: não encontra pés nem asas: no ventre sem raiz e sem cabo.