Lamento muito que a gente tenha se separado

“E ela se contorce toda
presa em minha teia:
Era pétala amputada
Tornou-se flor inteira.” Simone Teodoro

fragonard

Dizem dessa história há muito tempo, mas é tudo mentira, nunca passou por aqui. Alto, magricela, delicado como uma pluma de boneca da menina a pairar por sobre os porcos do chiqueiro, serve e insiste para que se repita: cachaça. Fina no gargalo e rechonchuda no espalho dos quadris largos imprime à garrafa uma força espirituosa na rolha. O aroma da cana de açúcar é unânime em sua graça. Copos aproximam corpos e esbaldam. Quiquito é só alegria e cortesia irritante. Insiste a um gole mais e mais e mais outro. Como se necessário fosse. Com a espontaneidade e devoção de soldados de guerra após o abate dos inexperientes carrascos o álcool molha os vitoriosos.

A magreza de vacas, vielas e ruas interrompe as falas, lacrimejantes. Sondam com rigor e astúcia os mosquitos: sangue. Nem só rotura e vergalhões nesta paisagem seca. Os bípedes trazem aos trancos e barrancos ossos secos. Muitos se prendem às tocas como a cutia ao buraco. Não adianta oferecer o sol áspero. Preferem a treva da luz. E quem disse dela beleza não há? Velhas superfícies gastas, ranzinzas e rugosas não almejam tocar o ouro, nelas cresceram ramos por sobre elas para cultivar raízes por sobre os ossos e desprende-las todos sabemos é um trabalho de flores. Movidas pela inércia de ali nascidas, criadas e só desejam sair mortas.