Análise: 70 anos de Maria Bethânia, a abelha-rainha da música brasileira

“tudo me impulsa para o coração do mundo” Wally Salomão

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Não é exagero dizer que Bethânia é música em cada fibra, até por que suas interpretações lancinantes nunca pecaram pelo comedimento, numa tênue linha em que é preciso dominar o instrumento para que a entrega não se torne gratuita. E o instrumento da cantora está além da voz, pois é capaz de transformar um simples gesto numa proporção de palavras prenhes de significado. Aí está, dentre tantos, o legado, é bem possível, de maior relevância desta artista ímpar na música popular brasileira, apelidada de “abelha-rainha” após interpretar canção escrita pelo poeta baiano Wally Salomão e musicada pelo irmão Caetano Veloso, “Mel”. Foi Caetano, aliás, quem batizou Bethânia, em insistência junto à matriarca do clã para que desse à filha o nome da música gravada, à época, com enorme sucesso, por Nelson Gonçalves, composta pelo pernambucano autor de frevos inesquecíveis Lourenço da Fonseca, mais conhecido como Capiba. Idos da década de 1940.