Análise: Tunga foi ao extremo para tratar a essência

“Nossa memória é frágil
Uma vida é um tempo muito breve.
Tudo acontece tão rápido que não
Dá tempo de entender a relação entre
Os acontecimentos” Isabel Allende

tunga

Sobre o radicalismo na experimentação formal de uma obra específica do escritor argentino Julio Cortázar, um especialista constata que é preciso manter certos pontos nevrálgicos para que a abertura não anule por completo a força do objeto. Já Antonin Artaud, o controvertido poeta, ator e dramaturgo, muitas vezes ligado ao “Teatro do Absurdo”, é mais específico, e afirma que “sentido dado é sentido morto”. É possível assentir que o pernambucano Tunga, artista plástico com obra estabelecida a partir da segunda metade da década de 1970, portanto contemporâneo e que veio à tona em meio ao furor vanguardista do período, pertence mais à categoria representada pelo pensamento do autor de o “Teatro e seu Duplo”. Outra ilação aqui cabível encontra-se no campo da literatura, quando o poeta maranhense Ferreira Gullar pretendeu, em suas palavras, “explodir com a linguagem”, observadamente nas últimas criações do livro “A Luta Corporal”, de 1975. A obra de Tunga se vale de múltiplas relações.