Artigo: Como Dilma entrará para a história do Brasil?

“Nossa história é uma história de traições, alistamentos, deserções, conspirações, motins, golpes de Estado; tudo dominado pela infinita ambição, abuso, desespero, orgulho e inveja. Duas atitudes, duas personalidades parecem sempre estar em conflito na nossa história: a dos rebeldes constantes, amantes da liberdade e, portanto, da criação e da experiência, e a dos oportunistas e demagogos, amantes do poder e, portanto, praticantes do dogma, do crime e das ambições mais mesquinhas. Essas atitudes têm se repetido ao longo do tempo; sempre a mesma retórica, sempre os mesmos discursos, sempre o estridente aparato militar asfixiando o ritmo da poesia ou da vida.” Reinaldo Arenas

Ainda é muito cedo para determinar a conjuntura geral, mas uma coisa é certa, Dilma entrará para a história do Brasil ao menos por dois motivos. Terá sido a primeira mulher a ser eleita presidente da nação e, muito provavelmente, a única que perderá o mandato por operações de crédito. Eleita pela primeira vez em 2010, inventada politicamente por Lula, cumpriu a função até 2014 e se reelegeu no mesmo ano para mais quatro anos, interrompidos antes da metade. Presa e torturada durante o período da ditadura militar, não é de se espantar que seja descrita por seus pares como uma pessoa rígida e fechada, o que certamente contribuiu para que os apoios políticos em torno de sua figura paulatinamente desmoronassem. Dilma nunca possuiu a habilidade de Lula.

Ao contrário de Fernando Collor, impedido em 1992, por denúncias de corrupção, e eleito à frente de um partido nanico, Dilma, embora com larga trajetória pelo PDT de Leonel Brizola, se elegeu pelo Partido dos Trabalhadores. Aos que apregoavam o enterro da bandeira que desestimulou muitos de seus apoiadores ao longo do tempo, a surpresa, pois o efeito pode ter sido o contrário. Uma das conclusões que se pode tirar do longo processo até a queda de Dilma é que o PT, um partido nitidamente de porte médio, se acreditou grande, afinal esteve por mais de 13 anos dominando o poder no âmbito federal. Porém, só o conseguiu ao se unir às bancadas conservadoras, o que, mais uma vez, apenas foi possível de ser costurado pela ampla capacidade política de Lula, e que contemplou em seu governo evangélicos e radicais de esquerda, Paulo Maluf e Aloizio Mercadante. Mas a convivência chegou ao fim.