Crítica: “Nós”, novo espetáculo do grupo Galpão, enaltece a comunhão

“Se o meu passado foi lama/Hoje quem me difama
Viveu na lama também/Comendo a mesma comida
Bebendo a mesma bebida/Respirando o mesmo ar…” Paulo Marques & Ailce Chaves

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A capacidade de lançar um olhar novo sobre textos clássicos permitiu ao grupo “Galpão” priorizar dramaturgias de autores consagrados ao longo de sua trajetória, sem, com isto, cair na reiteração ou na reverência pura, muito pelo contrário. Desta feita, porém, a companhia leva à cena um espetáculo contemporâneo, com direção de Marcio Abreu que também auxilia na dramaturgia com Eduardo Moreira. “Nós” alcança o mérito de abordar questões de momento sem perder a sua complexidade histórica e temporal, inclusive a partir do recurso cênico da repetição; e prova o quanto é possível panfletar com inteligência e resultado, desde que munido de duas características básicas: humor e sagacidade. O que é válido, até, para o enfoque trágico, quando se apontam dramas modernos sem resvalar no piegas, graças à poética proposta.