A Parábola do Poder

“E ele disse: Por Deus, isto é incrivelmente engraçado,
Ter metade do óleo do mundo, e não poder ter o bastante
Para acionar uma máquina de governo!’” Ezra Pound

charge-aroeira

Dá voltas ao redor do ouvido: zumbindo. O movimento é rápido e escapa do braço, sem franzido de testa, sem alarde: pica. Não dá tempo, é demais para o tempo, o tempo não pega Fernanda. Com livros, papéis, sarapatéis e paparicos: cai no colo. O louvor ao ócio é incapaz de acompanhá-la. O raciocínio lógico de tão matemático determina: aonde devem estar as causas e circunstâncias: Fernanda é exata. A amplitude dos movimentos crepusculares escapa da crônica: Fernanda amanhece de noite: fora de tempo dos arredores: quer revanche, revolução, progresso: dar à Santa a bofetada de adrenalina: que ela merece tirar do conforto provocar no útero contrações do parto: brindá-la com gêmeos, trigêmeos, quádruplos. Comprime os beiços na ansiedade, martírio, angústia: é preciso mexer com essa gente, vivendo no mundo da lua.