Crítica: David Tavares expande territórios da música

“Açougueiro sem cãibra nos braços.
Acontece que não acredito em fatos,
magarefe agreste,
pego a posta do vivido,
talho, retalho, esfolo o fato nu e cru,
pimento, condimento,
povôo de especiarias,
fervento, asso ou frito,
até que tudo se figure fábula” Wally Salomão

David-Tavares

Jards Macalé já disse que “a carteira de identidade da música é a música”, e que não entende essa de “samba, bolero, rumba, tango, rock…”. Embora seja pontual na descrição dos estilos que percorre no álbum, “Nem tão rei, nem tão rato”, grafado em espanhol, o violonista David Tavares, natural de Guarapuava, no interior do Paraná, e residente na terra do Rei Filipe VI há quase 30 anos, atém-se aos ritmos mais na teoria do que na prática. Com sua natural inclinação para o virtuosismo, é de praxe, nesse disco, sermos primeiro apresentados à maneira clássica da canção que se inicia, para, num segundo momento, sofrermos o arrebatamento decorrente da inventividade criativa do artista. Assim, David expande os territórios da música sem precisar de bússola.