Análise: arquiteta Zaha Hadid levou a ética do belo a qualquer custo

“O golpe de calcanhar categórico de minha pena escande como uma perna esquerda o zapateado mais altivo, o zapateado das mandíbulas de meu cérebro! Olé!” Salvador Dalí

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Dois dos maiores poetas brasileiros divergem quanto à condição da poesia. O pantaneiro Manoel de Barros alude às “máquinas que servem para não funcionar” e que podem um dia “milagrar de flores”. E arremata: “Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!”. Mario Quintana, gaúcho, prefere outra imagem, diz que “um poema que não te ajuda a viver e não te prepara para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras!”. Como sempre a poesia, território por natureza do lúdico e do contraditório, em sua concisão e densidade, abrange interpretações, não raro, complexas e incompatíveis, que vão além do exposto. Interessante notar, portanto, que Manoel usa a metáfora da “máquina” para louvar o “imprestável”, e Quintana a do “chocalho”, um brinquedo, a fim de mencionar função e conferir sentido ante o mundo ao redor.