Crônica do nordeste de Minas

A palo seco existem
situações e objetos:
Graciliano Ramos,
desenho de arquiteto,

as paredes caiadas,
a elegância dos pregos,
a cidade de Córdoba,
o arame dos insetos.” João Cabral de Melo Neto

honore-daumier

O velho encontrado no mato aos pedaços. Pedaço de pano rasgado para enxugar o chão. Carpir desavenças: desaforadas lágrimas. Todas as mortes do entardecer. Não hesita em afirmar: há um cachorro bravo, branco, quase lobo, na região. Depena as galinhas, engole os porcos, assusta os humanos e seus ancestrais (almas varam pelas alamedas de Santa Maria). O velho de orelhas grandes e inválidas: é preciso berrar. À pergunta de onde avistara o tal cachorro sucede a luta inglória, que não perece nunca. O velho nos entendeu. E nós entendemos o velho. Sem nenhuma compreensão. Aponta o rastro do degolador de galinhas, porcos, humanos, e outros animais menos importantes para o sustento da região tão impactada por dias presentes, por virem.

A lenda do cachorro branco e bravo acende a dúvida: o encontro com a onça: uma veleidade do sol que castiga, fatiga as vistas e alucina? Os velhos, mais velhos a cada diâmetro, fossem pelos espelhos do automóvel, ou pela antiga caixinha empoeirada de música, com a bailarina contradizendo as horas por suas pernas espichadas que eram ponteiros do relógio, desliza para o enxame de abelhas a cutucar o mel na espremida flor de lótus. Os velhos repercutem nos cascos da cavalgada, e imitam o relinchar de cavalos que já não são nem bravos, nem espertos, nem animados, apenas mansos e tolos. A igrejinha contemplativa é coberta de terra esvoaçante: o martírio dos caminhões e das máquinas de sondagem. Quer dizer: aos meus.