Análise: Tereza Rachel foi uma autêntica atriz de vanguarda

“Deixai que assim se faça o teatro e comecem
As cenas de verdade
Penetrai bem fundo em toda a vida humana!
Se cada qual a vive, não muitos a conhecem,
A muitos ela engana.” Goethe

Tereza-Rachel

Erguer um teatro no período da ditadura militar no Brasil não é para qualquer um. Talvez só para Tereza Rachel e Ruth Escobar, que lhe inspirou. Mulher, descendente de judeus nascida na baixada fluminense, no Rio de Janeiro, Tereza se destacou como uma das mais importantes atrizes do cenário nacional, não apenas por sua atuação diante das câmeras ou nos palcos, mas, em especial, pelas atitudes destemidas e corajosas, conferindo à palavra artista o seu valor de origem. Vanguarda é uma das melhores expressões que se usa para se referir à Tereza, quase sempre ligada a causas nobres, que iam contra o conservadorismo dos costumes e as tentativas de tolher as liberdades. Encenou em seu teatro autores que para além das nacionalidades traziam esses temas para o centro do debate. De Millôr Fernandes a Tennessee Williams, passando por Anton Tchekhov e Mario Vargas Llosa.