Crítica: exposição “Iberê Camargo – Um Trágico nos Trópicos” desfralda agonias de seu criador

“Se insisto em tal episódio, é porque ele faz compreender melhor que qualquer outro o estranho período da guerra, e como, mais que o pitoresco, impressionava-me a poesia das coisas.” Raymond Radiguet

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As concepções de pintura mudaram de forma brusca através dos anos, e com elas, a de beleza. O gaúcho Iberê Camargo pertence a uma das linhas mais radicas nesses termos, embora não se possa ligá-lo a nenhum movimento específico. Talvez seja justamente por esse descolamento conceitual que suas obras choquem e provoquem sensações extremas. Se a pintura é a arte da cor e da luz, em Iberê predomina o negro, ou, antes, a escuridão. Assim como o grotesco e o feio. As formas também assumem protagonismo de modo a exacerbar o caos, a angústia, a desconexão, o fim absoluto, nunca a harmonia.