Crítica: espetáculo “Dente de Leão”, do grupo Espanca!, erra e acerta no deboche

“O jovem, justamente por ser mais agressivo e ter uma potencialidade mais generosa, é muito suscetível ao totalitarismo. Eu só me acho parecido comigo até os dez anos e após os trinta. Eu já era o que sou quando criança. Na adolescência eu me considero um pobre diabo, uma paródia, uma falsificação de mim mesmo. Por isto, digo aos jovens: não permaneçam muito tempo na juventude que isto compromete.” Nelson Rodrigues

dente-de-leao

Os “ares de superioridade” que caracterizam a adolescência acabam por contagiar os envolvidos na peça “Dente de Leão”, uma montagem do grupo “Espanca!” com texto de Assis Benevenuto e direção de Marcelo Castro. Em ambas as funções fica nítida a ambição pela originalidade. Não é fácil abordar, no teatro ou em qualquer outra arte dramática, esse período da vida, sobretudo pela tendência ao piegas e à demagogia, mas ao comprar esse ideal juvenil sem ressalvas, ou até certa reserva, o próprio espetáculo se ressente de um senso crítico mais apurado e menos moralista. Embora na forma de perguntas, as principais interlocuções das personagens denotam mais certezas do que dúvidas, o que os leva ao inevitável didatismo que aspiram combater. Dentre as discussões aludidas, destaca-se a da representação.