Análise: Jacques Rivette filmou o mistério da vida

“E se Marietta
Não tivesse posto o vestido de sua avó
Poderia ter subsistido, um mistério. Se Dolores
Não tivesse posto um chapéu com formato de peruca
Poderia ter permanecido exótica.
(…), e não se importava com charutos fortes.” Ezra Pound

Jacques-Rivette

O cinema de Jacques Rivette é o do tempo da reflexão, logo não deve assustar a duração de seus filmes. O mais modesto obedece às clássicas duas horas, e o mais extenso chega à incrível marca dos 720 minutos, ou doze horas. Sem abrir mão do rigor estilístico aprendido na época em que dirigiu e participou da famosa revista “Cahiers du Cinéma”, ao lado dos não menos célebres Jean-Luc Godard, François Truffaut, Éric Rohmer e outros nomes fundamentais da “Nouvelle Vague”, Rivette conseguiu se destacar de seus pares ao criar estilo que une o aspecto investigativo de Claude Chabrol à teatralidade de Alain Resnais. O que interessava a Jacques, além de desprender as amarras sociais com ácida crítica, era ir ao âmago, e com isto alcançar o mistério da vida.