Crítica: peça “O Capote”, de Gógol, debate dramas modernos

“Desapareceu e eclipsou-se um ser que ninguém defendera, que ninguém estimara, por quem ninguém se interessara, que não chamara a atenção nem mesmo de um naturalista, desse que não perde a oportunidade de espetar com um alfinete uma simples mosca e examiná-la com um microscópio” Gógol

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Não é por acaso que Nikolai Gógol é considerado um clássico. Não lhe cabe a crítica do autor “datado”. Embora ambiente suas histórias na Rússia do século XIX, com riqueza de detalhes descritivos e especial atenção às particularidades da metrópole, a essência do texto provoca reflexões que não se esgarçam com o tempo. Daí extrai-se duas hipóteses: ou o ser humano não evolui ou seus problemas de fundo existencial são sempre os mesmos. Na montagem dirigida por Yara de Novaes, com adaptação de Drauzio Varella e Cássio Pires, a boa combinação dos elementos originais do conto “O Capote” junto à inserção de novas linguagens e perspectivas deixa em aberto essa pergunta.