A nudez no cinema brasileiro

“e o charme da novidade caía pouco a pouco, como uma vestimenta, deixando ver nua a eterna monotonia da paixão, que sempre tem as mesmas formas e a mesma linguagem.” Gustave Flaubert

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A pornochanchada talvez tenha sido a época de maior popularidade do cinema brasileiro. Certamente não a de maior prestígio. Concorre, no auge, com o sucesso do seu antecessor de quem herdou parte do nome, as chanchadas nacionais. Essa designação atende à conhecida comédia de costumes. A diferença de uma para outra está, justamente, na inserção de um dos elementos responsáveis pelo aumento do público: a nudez. Curioso notar que embora tenha grande parte da cultura de massa influenciada pelo modelo norte-americano, neste ponto o cinema nacional se diferenciou bastante. Não é segredo que a tolerância dos Estados Unidos hollywoodiano com a violência é inversamente proporcional ao sexo.

Neste período de intensa repressão decorrente da ditadura militar instaurada no Brasil, a pornochanchada valeu-se de carta branca para mostrar o sexo. Afinal de contas, as preocupações eram com as mensagens engajadas dos artistas tropicalistas, do cinema novo e do teatro oficina, para focar em alguns exemplos, em temas que exploravam questões mais abrangentes e menos particulares que as ligadas ao amor e ao sexo. Este estilo criou alguns ícones e se apropriou de outros. Por exemplo, Nelson Rodrigues, um dos autores mais adaptados para as telonas, e os atores Paulo César Peréio, Sônia Braga, Darlene Glória, Lucélia Santos. A intensa exploração do corpo, sobretudo das mulheres, nas filmagens, levou algumas a renegarem a participação nesses clássicos.