O poder da caricatura

“Aliás, cada passo na arte é sobre o fio da navalha, entre o ridículo e o brilhante.” Tom Zé

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Não é raro em manifestações políticas e carnavalescas que o artifício usado seja o de ridicularizar o oponente ou a si, para conquistar território e coração. No Brasil a caricatura ocupa-se principalmente do primeiro caso, embora também seja usada para homenagear personalidades do esporte, da cultura, e outros segmentos da sociedade. Porém, essa depende sempre do senso de humor de quem está do outro lado. Afinal se vale de um recurso nada cortês. Feita de uma observação que muitas vezes pode se considerar óbvia, exagera no traço mais marcante e já nada escondido de sua vítima.

Fellini, no cinema, mas que começou neste campo artístico, talvez seja a principal referência. Se já não bastasse a expressividade dos atores, ainda cria para eles um cenário e clima apropriados à extravagância. Há algo de lúdico na caricatura. Por sua característica hiperbólica pode soar impossível, fantasiosa. O que ao mesmo tempo atrai é esse universo distante da realidade pálida e a percepção de que a vida carrega nas tintas tanto quanto os ilustradores. O recente assassinato dos caricaturistas da revista francesa “Charlie Hebdo” é uma prova do poder de alcance e efeito da prática.