Crítica: “Sombras: Toda Vaca Tem Nome Próprio”, fica no título

“A libertinagem é contraditória: busca simultaneamente a destruição e a ressurreição do outro. Como castigo, o parceiro não ressuscita como corpo e sim como sombra. Tudo o que vê e toca o libertino perde realidade. Sua realidade depende da de sua vítima: só ela é real e ela é só um grito, um gesto que se dissipa. O libertino converte em fantasma tudo o que toca e ele próprio se torna sombra entre sombras.” Octavio Paz

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A explosão e a intensidade que poderia se esperar do espetáculo “Sombras: Toda Vaca Tem Nome Próprio”, fica no título. À parte a entrega sincera do trio de atores, Raquel Dutra, Raquel Lauar e Rodrigo Mangah não escapam à superficialidade. As personagens emergem rasas de um cenário vívido e bem cuidado, mas que, assim como a discreta iluminação, não é capaz de superar o texto recheado de clichês e a direção idem, ao optar pelo didatismo.

Com a cena montada à essa maneira torna-se impossível não soar melodramático, piegas, com um roteiro que falha tanto na tentativa de emocionar quanto na de parecer inventivo, novo. A autoria da peça pertence ao dramaturgo argentino contemporâneo Héctor Oliboni e chega pela primeira vez ao Brasil.