Crítica: “Whiplash – Em Busca da Perfeição” revela poder de destruição do trabalho

“Não tenha medo de erros. O erro não existe.” Miles Davis

Left to right: Miles Teller as Andrew and J.K. Simmons as Fletcher Photo by Daniel McFadden, Courtesy of Sony Pictures Classics

Embora tenha essa ambição, a arte não necessariamente melhora o mundo e a vida das pessoas. É esta a tese do diretor e roteirista de “Whiplash – Em Busca da Perfeição”. Ao retratar o poder de destruição, ganância, inveja, dor, ciúme, vaidade, indiferença, egoísmo, intolerância, sordidez, mágoa e outros adjetivos pouco simpáticos, Damien Chazelle inverte as imagens usualmente atribuídas à prática artística. À medida que o protagonista vivido por Miles Teller cresce no ofício, pior se torna como ser humano. Ambos, intérprete e personagem, se entregam a tal ponto a uma pretensa luz que acabam, como na lenda de Ícaro, queimados pelo sol.

J. K. Simmons, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante, é o grande atrativo da produção. Ele encarna com complexidade um carrasco cuja função é justamente incentivar e expor a face maníaca de seu pupilo, para retirar às entranhas uma excelência no fazer, na produção, na obra a ser legada, no gênio. Crítica que atende ao modelo de concepção educacional tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, onde busca-se a fortuna e o sucesso individualista, o tal plano de carreira, antes de qualquer preocupação cidadã. Portanto essa relação com o trabalho é também questionada, assim como a coqueluche da vaidade artística: a de que a obra é eterna, logo mais valiosa que a vida humana.