Crítica: “O Grande Hotel Budapeste” usa humor para a vaidade

“Só goza a vida aquele que viva para viver e se lhe entregue livre e prodigamente. Todo aquele que fixa uma meta apenas a toca. O artista plasma, geralmente, o que não chega a viver.” Stefan Zweig

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É com humor que Wes Anderson tira a importância da pintura, da poesia e do ser humano em “O Grande Hotel Budapeste”. No entanto, esse artifício é usado para a crítica de forma branda, e fartamente como um exercício de linguagem. Ao apresentar as suas personagens através do maneirismo e da superficialidade o diretor não apenas demonstra a própria falta de afeição como impede que nos aproximemos e haja a criação de algum vínculo afetivo.

Protagonistas e coadjuvantes de luxo são esvaziados a tal ponto que o fascínio só ocorre em razão dos efeitos técnicos: em figurinos, cenários e maquiagem extravagantes. O excesso também é medido no ritmo frenético da história, que, embora remonte a tempos idos, está em consonância com a contemporaneidade. Todos esses elementos, porém, garantem à película estilo e afetação, premiando a vaidade do diretor. Era Millôr Fernandes quem dizia de si: “Finalmente um escritor sem estilo”. Esse não é o caso de Wes Anderson.