Crítica: “Grupo Corpo” procura-se em “onqotô” e encontra caminho num “TRIZ”

“o céu é agreste de folhas;que dançam
e dançando arrebatam(e arrebatando rodopiam
sobre um rapaz e uma rapariga que se assustam) ” e. e. cummings

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Companhia de dança de Belo Horizonte com maior prestígio o “Grupo Corpo” volta à capital mineira para apresentar dois espetáculos em uma única noite. No primeiro deles, “onqotô”, a presença de uma dramaturgia bem definida e as canções de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik são o ponto de ressalva. Bailarinos, iluminação e cenário conduzem a um mundo de estupefação, encantamento e deboche, dependendo do mote, com habilidade e presença física inquestionável. Porém o pensamento exposto não explora na totalidade a força do discurso que pode debandar para certo pedantismo distante, dependendo de como se encara.

A canção que aborda a teoria do “BIG-BANG”, por exemplo, ganharia em ironia em vozes de tom mais provocativo, que contribuiriam para uma personalidade mais incisiva e menos posada, como a de Zeca Baleiro. Por vezes, da maneira como foi colocado, Caetano corre o risco de soar com certo ar de superioridade. Por essa sintonia atravessada o “Grupo Corpo” procura-se em “onqotô”, na força e na beleza da dança, dos passos, das imagens e do som instável, e encontra o caminho num “TRIZ”. Desta vez, com uma dramaturgia solta e menos definida, com um tema mais subjetivo e nada concreto, o grupo explora a beleza na totalidade, em todos os seus contornos, limites e céus.