Quem Há De Dizer: Os 100 Anos De Lupicínio Rodrigues Por Mauro Zockratto e Luísa Mitre

“Fui pra debaixo da Lua
E pedi uma inspiração:
– Essa Lua que nas poesias dantes fazia papel
principal, não quero nem pra meu cavalo; e até logo, vou gozar da
vida; vocês poetas são uns intersexuais…
E por de japa ajuntou:
– Tenho uma coleguinha que lida com sonetos de dor
de corno; por que não vai nela?” Manoel de Barros

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A expressão “dor de cotovelo” está tão impregnada no alfabeto de ditados brasileiros que mesmo quem nunca ouviu Lupicínio Rodrigues já a sentiu. Embora alocado na tradição e no aspecto mais conservador da cultura do país, tanto na forma quanto nas letras, Mauro Zockratto e Luísa Mitre oferecem à nova geração a oportunidade de conhecer este senhor gaúcho de bigode, paletó e gravata em “roupagem nova”, para usar outra expressão bem batida. Só que a batida desses três artistas não tem nada de “mais do mesmo”. Lupicínio Rodrigues é aquele que anda entre o “grotesco e o sublime”, como já dito por muitos, de uma maneira cuja adjetivação é impossível, restando-nos recorrer a seu nome e sua assinatura, melhor ainda, ao que ele mesmo criou e disse: dor de cotovelo. Enquanto Mauro Zockratto e Luísa Mitre desfilam em 16 músicas vários ritmos: choro, tango, guarânia, valsa e mais, muito mais.