O amadurecimento da existência

“Mais tarde, talvez, algum intelecto surgirá para reduzir minhas fantasmagorias a lugares-comuns – alguma inteligência mais calma, mais lógica, muito menos excitável que a minha; e esta perceberá, nas circunstâncias que descrevo com espanto, nada mais que uma sucessão ordinária de causas e efeitos muito naturais.” Edgar Allan Poe

Miró

“- Você se lembra quando percebeu que a tua vida acaba? Que a morte vem um dia ao teu encontro? Qual a data exata? Conte-nos em detalhes”.

O homem sem nenhum futuro atravessa a rua. Predestinado à morte, como teus pares, foi diagnosticado, há duas semanas, com uma doença rara. Fato este, por si só, altera a conjunção disposta. Um homem condenado à morte difere do homem destituído de futuro. Pois o primeiro elabora planos, metas, fantasias, sonhos. O segundo, por conseqüência, se irá prostrar à gratuita espera do inevitável. No caso exposto, surpreendentemente, houve o contrário.