Crítica: “Cazuza – Pro dia nascer feliz – O Musical” não alivia barras nem emoções

“Todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito!” Cazuza

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A trajetória de Cazuza já foi contada em cinema, livro e televisão, e agora chega ao teatro com o musical “Pro dia nascer feliz”, mas é inegável que a melhor montagem da vida do protagonista foi feita por ele mesmo no contato diário com pessoas e sentimentos que transformou em canções. O próprio Cazuza afirma que “no final tudo vira letra de música”, ao conciliar-se com o namorado Serginho em uma das muitas brigas apresentadas no espetáculo.

Aliás, um dos maiores acertos do musical é não aliviar a barra para seu herói, como o próprio sempre fez questão. Preferia ser “amado por uns e odiado por outros como Caetano” do que “amado por todos como Roberto Carlos”. Além da persona pública explosiva, tendente a chiliques, esculhambações e agressividades, fica clara a ternura de Cazuza nos atos subliminares, nas palavras doces ditas em meio a ameaças, no humor inteligente e ágil usado para enfrentar a morte, na flexibilidade das ideias em contraposição à rispidez dos modos, e a comoção final a um personagem que tinha tudo para soar antipático é a catarse de uma vida legada à integridade, sem meios termos ou poucas palavras.