As Músicas Na Voz De Jamelão

“nenhuma nuvem, mas o corpo de cristal
a tangente formada na concha da mão
como vento vivo em alamedas de faias
como vigoroso ar entre ciprestes” Ezra Pound

Jamelao

Dormia o fruto na planta, quando um ruído doce o despertou. Veio assim, de repente, sem saber de onde vinha, pra que vinha, com a perfeição que a natureza confere aos pré-destinados. José Bispo só saíra de casa com seu pandeiro na intenção de paquerar as meninas, e divertir-se ao som do ritmo. Não imaginava que o coração guardava a verde e rosa coloração da Mangueira, nem que tua pele negra marotamente lhe daria uma assinatura.

Única e inimitável, como estilo, não como nomes que se repetem. Despertou o fruto, a assinatura, a cor, o ritmo, a voz vigorosa, extrema, suspensa e pesada, puro aço cintilante e admirável. Jamelão cantou o samba de sua escola, e a dor de cotovelo do professor do samba-canção, Lupicínio Rodrigues. Excursionou com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo, desfilou em parques europeus o brasileiro autêntico que sempre foi, e é ainda, pois é possível ouvir em discos a deflagração do objeto que amanheceu vida.