Crítica: Espetáculo “Jovens Hermanos” do Ballet Jovem Palácio das Artes converte poesia em dança

“Dance, dance, senão estamos perdidos.” Pina Bausch

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Percebe-se que é uma dança quando o movimento das cores explode no quadro. Logo de cara, percebe-se que é uma dança. No entanto a dúvida permanece até o fim do ato. Percebe-se que é uma dança das cores, das tintas, no quadro. Portanto são bailarinos ou borrões de guaxe, acrílica, látex? Entre o azul da Argentina e o vermelho Portugal uma rã Brasil pula em verde, mancha as patas, escorre a língua entre uma perna e outro braço.

E uma cabeça, e quadris e um quadro: cores de véus, de vens, de vais. Aplausos. Risca no sol um chão, que racha. Escondem-se as cores, a luz se afasta, a escuridão é que toma conta. Cai o pendão, anuncia a morte, tão solitária, que ainda dança uma cor covarde. Toda amarela ela ri e chora, ela limpa as lágrimas, ela então implora: que volte o quadro. E então à noite aparece a lua, ainda brilham, milhões de anos, as estrelas mortas.