Marcellino, Pão e Vinho

“Voaram telhados, voaram andaimes, voaram coisas imensas:
os ninhos que os homens não viram nos galhos,
e uma esperança que ninguém viu, num coração.” Cecília Meireles

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Partiu-o ao meio. Não notou a natureza amedrontada do objeto estático. Mal lhe escapara o pé descalço a obstruir luz para couves e verduras outrem, quanto mais a natureza estática do objeto amedrontado. Feriu-lhe o bojo desprovido de pudor. Arregaçou as mangas encardidas do fiapo que protegia o próprio cadavérico corpo e iniciou o calvário da natureza inapta. Em momento algum se precipitou, nem se demorou além do necessário, a morte recolheu-se ao abrigo num acordo tácito.

A tigela, em frente, borbulhava com o leite fresco colhido das tetas da mais gorda vaca durante os primeiros raios daquela manhã. Calor e angústia aperfeiçoavam a pagã caminhada a desembocar no rito obrigatório. Aquela abatida de intrigas e indispensável desordem à fome terrena do menino magro. Agora, enquanto descia o líquido fresco que esquentava boca, pulmão, estômago, possuía nome, e um branco bigode, invisível e risonho, da infância apressada.