Crítica: Falta humor e improviso para a atual geração pop da música brasileira

“…é na intenção que está o supremo encanto (…). Gaitinha de boca bem tocada não é gaitinha de boca. E outra coisa: falta-lhe o poder da sugestão, a graça melancólica do inatingido…” Mario Quintana

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A atual geração pop da música brasileira me parece de muito “bom gosto”. O que no jargão do alcoólatra é um porre. Como diria Arrigo Barnabé: ao contrário de Lupicínio Rodrigues eles não compõem guarânias. E quando o fazem é com a magnânima humildade do ser que estende os braços aos necessitados. Afinal pertencem à modernidade e ao descolamento dos chicletes de tutti-frutti. Sem nenhuma referência à música de Little Richard ou à banda de Rita Lee. Perto dos antepassados eles são minúsculos.

Assisti ao programa “Som Brasil”, da Rede Globo, apresentado por Patrícia Pillar e dedicado aos artistas contemporâneos, na última sexta-feira. Nos palcos desfilaram estilismos, poses e pretensões. Representantes da cara séria, do ar mais profundo, do roteiro amarrado, do papel neste mundo. Herdeiros daquele blasé de Oscar Wilde, porém sem o brilho o que resta é o tédio. Como disse o outro da herança de Paulo Francis: muitos pegaram a arrogância, mas não há luz nenhuma.