Nilton Santos: o lateral que desafiou o tempo

“Quando caminha, seu pequeno corpo intuitivamente reconstrói o tempo à sua volta, ciente apossa-se da sua quadra no mundo.” Luiz Ruffato

Nilton-Santos

No seu tempo subir ao ataque e descer à defesa era impossível. No seu tempo o Brasil erguer uma taça soava a um plano risível. Afinal o cachorro vira-lata ainda rosnava de medo, defendendo-se ante a ameaça, pela lembrança do fatídico dia, o inesquecível Maracanã de 1950. No seu tempo vestir uma só camisa, do mesmo clube, com uma única estrela no peito, era, até certo modo, concebível.

Mas não da maneira como o fez, não pela lateral esquerda, nem com tamanha categoria. Isto, somente aquele sujeito, de bigode fino, hábil e inteligente, a dar dois passos à risca da pequena área para depois dois acima: e levantar o caneco. Para que não o desmentissem, afinal jogava contra o tempo, juntou uma a uma todas as lembranças numa enciclopédia, apelido pelo qual ficaria conhecido.