Enredo da Polca na Polônia

“Amáveis
Mas indomáveis
O poeta e seu cavalo.
Um arcabouço pensado
Para limitar-se ao pouso
E do voo, alimentar-se.” Hilda Hilst

Polca-Polonia

O véu de neve cobre a planície, as folhas o de orvalho, o homem com seu cachimbo e chapéu de palha está sentado. A barba ruiva lhe coça, de luvas é um feito inábil, observa a fria Polônia. No entanto um potro chacoalha, maltrata o vento e um bafo, das duas bocas escapa. O homem jaz abobado e o animal desaforado. Ante o martírio negro, a depressão, o cansaço, o potro alegria espalha. Um simples subir de patas, dois coices à nuvem ingrata.

A seiva ainda mais se esgarça, o homem outra vez se assusta, pois eis que bem de volúpia, o grilo impulsiona as patas. Inseto tão pequenino, e ainda assim ouriçado, afronta o corpo sentado, afundado em montes de palha. Não teme o frio, a Polônia, as nuvens e seus maciços rastros, às gotas que lhe procuram envia o adeus e ganha os ares. O grilo qual um menino parece de peito de aço, tem fôlego inviolável.