Um telegrama musical para Waldir Silva

“Como um veludo que passa, acalenta e amacia
É a vida da gente, e o que tem de melhor
É nesse amigo se espelhar, com devoção” 

Waldir-Silva

Conheci Waldir Silva no programa “A Hora do Coroa”, transmitido aos domingos de manhã na rádio Itatiaia, sob o comando de Acir Antão. Estava in loco no estúdio, e o admirei pessoalmente. Como de costume carregava ao colo o inseparável cavaquinho. Poucos segundos de atenção foram suficientes para perceber o laço de afeto e necessidade a unir o homem ao instrumento. Mal me dei conta que sempre o ouvia no momento exato do sol de quase meio-dia obrigar o relógio a marcar as onze badaladas e “Zíngara”, uma canção-rumba de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano lançada por Gastão Formenti, aparecer deslumbrante na execução do mestre. Não a toa serve de prefixo musical do atrativo há mais de quatro décadas.

O nosso próximo encontro seria ainda mais decisivo na relação a se estabelecer dali por diante. Ouvindo no rádio o mesmo programa no qual o acompanhei de perto não consegui negligenciar a história sobre uma melodia carente de letra após a morte do jornalista incumbido de tal tarefa. O locutor, ainda por cima, convocava os aspirantes ao gesto. Ao que me candidatei. Então a tarefa árdua tornou-se gratificante ao tomar corpo na voz de Lígia Jacques, a cantar os versos propostos por mim para o chorinho “Apenas duas lágrimas”, em espetáculo no Conservatório da Universidade Federal de Minas Gerais, através do projeto “Pizindin – Choro no Palco”, com a produção de Lilian Macedo e o acompanhamento de diversos compadres.