História do Balé na Rússia

“Eis toda a minha vida despida de anedotas, ao invés do que vêm repisando há tanto tempo os grandes jornais, nos quais sempre passei por muito estranho: esquadrinho e não vejo mais nada, exceto dificuldades cotidianas, alegrias, lutos interiores. Algumas idas onde quer que se apresente um balé, que se toque órgão, minhas duas paixões de arte quase contraditórias, mas cujo sentido irá manifestar-se, e é só.” Mallarmé

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O compasso gira. Dança, Constelação e Geometria. As perninhas finas, esticadas e rígidas. Uma eleva-se, sublima, a outra, como estaca, finca. Um círculo imaginário ao redor suspira; leve brisa, bruma, mar, assopra-se, e ele finda. Vejo no cocuruto uma fita: pode ser de pó ou de chita. Rápido evapora, mas é colorida. Qual a estação de canto da Bailarina?

Verão está sob os olhos. Perto do nariz, sardas em pleno ensaio, pintam aqui e ali, o rosto borbulha e ruivos cabelos fixam-se em boldrié. Outono na enseada, o corte do quadril, onde uma leve saia aborda o vento e folhas, e homens, a cair. Da Primavera os saltos, o estouro, o inesperado, apenas num segundo o inseto agora voa, a proa abriga fada.