Tentação Proibida, com Nastassja Kinski

“Tanto o seu estar, rubro e quieto, quanto o meu que se faz e desfaz o ar destas paredes – é queda.” Ferreira Gullar

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O jardim dava para a estátua de marfim e ouro. Para onde quer que fosse a estátua parava à frente. Impossível desviar-se daquele caminho. Preso em tal condição, notou, primeiramente, o nariz. Conformava uma insatisfação adolescente, não querendo estar onde jazia a obrigação de fornecer ao corpo o direito de respirar. A rota cíclica da vital atividade trazia um indisfarçável enfado à dona do nariz. Desabafava através das íris.

Estas eram de um verde abacate, algo um tanto inusitado para uma estátua. Acostumado a observar colorações geralmente cinzas, mortas, paralisadas, não teve forças para contentar o espanto que se assombrou sobre sua imagem de respeitável patriarca quando a figura mexeu os olhos. Enfastiados por uma mistura de rebelião e abatimento profundo, os olhos tentavam, em vão, escapar à moldura de cimento e gesso que mantinha a estátua no primeiro ato.