Cassino do Chacrinha – Alô, Alô, Terezinha!

“Quem não se comunica, se trumbica!” Chacrinha

Chacrinha

O espelho mirava à frente o homem cujos olhos baços procuravam distinto reflexo. Velho, com cabelos em chumaço de aspecto do algodão, pipocava no meio da cara um protuberante nariz. Os lábios em acento circunflexo lembravam as antigas máscaras de teatro tristonhas. Pronto para a batalha, mantinha o gelatinoso corpo rosa em posição de ataque, com a barriga para derrubar quem lhe insinuasse ameaça: O guerreiro. Calado. Cansado. Careca. Pediu imediatamente à assistente de palco que restituísse ao posto a cartola entregue ao chão. Qualquer desavisado acende as luzes dos refletores, câmeras, ação!

O palhaço ainda não está feito. O palhaço tem seu minuto de silêncio. Afinal acumula minutos, horas, dias, meses, anos à frente deste produto chamado televisão. Desde que migrou de Surubim, cidade natal, interior de Pernambuco, para o Brasil todo, as mudanças não foram poucas. Perdeu o nome, a alcunha de um distante lugar onde eram gravados programas de rádio definitivamente tomou conta de sua personagem. Está neste mundo como um ilusionista, mágico, pois além de não pretender a resposta exata, diverte-se com a confusão, a anarquia, o caos, a encruzilhada. Guerreiro velho.